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Samuel Góes e Samuel Hum são duas personas distintas. Enquanto Góes é professor e escritor, com livros publicados, Hum é cantor e compositor. Ambos prolíficos. Desde a sua estreia em 2021 com o EP “Mudança”, o artista já lançou nove álbuns nas plataformas digitais. “O trabalho com a literatura é um pouco diferente do trabalho com a música, de modo que achei interessante não convergir”, explicou ao portal. A relação com a música começou ainda criança, na igreja, onde se interessou pelo coral infantil e logo começou a participar. Vieram os discos de vinil, o violão e a descoberta de referências como Djavan, Roberto Carlos e Legião Urbana. Na pandemia, Hum comprou um teclado para arranjar as suas próprias canções e não parou mais de produzir. Com “Alguma concentração”, divulgado no dia 13 de abril, o artista chegou a 123 fonogramas registrados de um catálogo que compreende milhares de composições. “Depois de mais de 35 anos, acho que aprendi a fazer canção. Tenho facilmente mais de três mil canções, componho desde os 14 ou 15 anos”, informou.
O processo de produção do cantor e compositor é bem simples. Em algumas músicas a base vem pronta do teclado arranjador, às vezes Hum conta com a participação de amigos instrumentistas e então grava a voz e o violão. A forma de registrar as suas canções acabou dando uma unidade estética para a sua discografia. Claro que existem algumas nuances e ritmos diferentes aqui e ali, mas em suma, a obra do artista tem uma sonoridade que se repete álbum após álbum, algo que é motivo de orgulho para o seu criador. “Alguma concentração”, título levado também para a arte da capa, fala sobre o mundo em que a gente vive atualmente, onde as pessoas não prestam mais atenção nas coisas que realmente importam. Diferente dos registros anteriores, que quase sempre começam com músicas com letras abordando questões sociais, o novo disco abre falando de amor, ainda que inventado. Em contato com o Rifferama, Samuel Hum falou sobre as suas inspirações e identidade artística.
— Todas as canções de amor que escrevi são inventadas, nenhuma é autobiográfica. Minha vida é comum demais para que eu a considere fonte de inspiração. Sou bastante recluso, um solitário conhecido. Tenho canções sobre muitos temas, algum talento para música e pouquíssima vocação para a profissão de músico. As minhas canções não parecem com nada que existem, eu acho. Do ponto de vista de como as canções resultam, acho que elas não se parecem com nada, tenho um jeito bem específico de fazer música e produzo de um jeito também, como é caseiro, bem simples, soa de um jeito que não parece com nada. Eu fico feliz por isso, embora saiba que muita gente se incomoda, eu não me importo. Acho que tenho um certo bom gosto para produzir. Ainda não sou capaz de investir nisso, para o bem ou para o mal.

