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Vítor Vieira encara o abismo e entrega identidade em álbum

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Foto: Paulo Carapeba

“Líricas do abismo”, primeiro álbum do cantor, compositor e multi-instrumentista Vítor Vieira, é profundamente pessoal. Até mesmo nas canções que não são suas ou foram criadas em parceria, como “Da janela” (com João Botosso) e “Roda da vida” (Gil Roseiro), e “Fim de festa”, de Itamar Assumpção, o artista deu a sua cara para o repertório, que mistura música brasileira, erudita e experimentação eletroacústica. Lançado no dia 1º de agosto nas plataformas digitais, o trabalho foi produzido entre 2023 e 2025, período em que o manezinho estudava composição na USP (Universidade de São Paulo), com muitas formações diferentes — confira os instrumentistas que participaram das gravações na ficha técnica abaixo. Denso tanto musicalmente quanto no texto, “Líricas do abismo” aborda temas como medo, coragem, amor, memória familiar, identidade, experiência LGBTQIAP+ e retorno à Ilha. 

O músico estreou em 2020 com o EP “Vítor Vieira e os Argonautas de Lá”. Na época do registro, que é uma gravação do seu primeiro show autoral, realizado um ano antes na extinta Garagem 2020, em Florianópolis, o cantor, compositor e violinista se apresentava como Vítor Vital. Viver em São Paulo foi marcante para o artista, que também é antropólogo. A saudade de casa trouxe um sentimento de pertencimento. “O Saramago dizia que é preciso sair da Ilha para ver a Ilha. Foi um choque de cultura, convivi com muitas pessoas de estados diferentes e isso faz com que a tua identidade seja colocada em questão. O retorno para Ilha tem a ver com essas questões”, afirmou o músico, que deve voltar para São Paulo apenas para defender a tese de doutorado em Criação Musical (USP) sobre culturas musicais de tradição oral no litoral catarinense. Em contato com o Rifferama, Vítor Vieira falou sobre “Líricas do abismo” e seus projetos futuros.

— O álbum surge desse primeiro choque em São Paulo, tudo muito difícil. Na faculdade a gente tem muito contato com equipamentos e comecei a fazer testes de autoprodução. Peguei várias canções que eu tinha  e fui separando em projetos. Esse projeto seriam músicas mais intensas, de teor dramático. O que me fez unir esse grupo de canções foi a temática das letras, é um abismo simbólico, tanto a sensação de ser um ilhéu, nascido e criado em Floripa, vivendo em São Paulo, essa cidade caótica, e o abismo desse desespero. A diversidade do álbum espelha essa trajetória, une música de concerto com música popular. Estou pesquisando boi de mamão, ratoeira, cacumbi e terno de reis por um viés artístico. A ideia é construir um álbum chamado “Desterro de Sal”, e falar sobre essa sensação de identidade, as nossas culturas musicais, tenho composto músicas relacionadas a esses universos e pretendo lançar no fim do doutorado, em 2028 ou 2029. 

Ficha técnica 

“Líricas do abismo”

Composição, vozes, violinos, efeitos vocais e corporais, captação, mixtape e mixagem:
Vítor Vieira
Masterização: Daniel Conti
Agradecimentos: Fernando Iazzetta e Rogério Costa


“Estranhas entranhas”

Composição e arranjo, voz, dobras de violinos e edição de vídeo: Vítor Vieira
Violinos: Gabriel Vieira e Karine Vianna
Viola: Laís Lopes
Violoncelo: Jogus Oliveira
Contrabaixo: Éder Augusto
Percussão: Lara Gurianova
Gravação: Pedro Paulo Köhler (LAMI/USP)
Mixagem: Pedro Paulo Köhler, Vítor Vieira e Daniel Conti
Masterização: Daniel Conti
Agradecimentos: Valéria Bonafé e Ana Fridman


“Flor D’Acácia”

Composição, arranjo, voz, violinos, violões (6 e 7 cordas), captação e mixagem: Vítor Vieira
Arranjo: Natália Livramento
Vozes contrapontísticas: Tarita de Souza
Mixagem: Vítor Vieira e Daniel Conti
Masterização: Daniel Conti


“Páscoa”

Composição, arranjo e voz: Vítor Vieira
Arranjo: JALT
Guitarra: João Botosso
Baixo: Arthur dos Santos
Bateria: Leo Costa
Gravação: Estúdio Corda
Mixagem: João Botosso, Vítor Vieira e Daniel Conti
Masterização: Daniel Conti


“Carta de um filho ao pai”

Composição, arranjo e voz: Vítor Vieira
Flauta: Giovana Dilio
Oboé: Matheus Colares
Clarinete: Rafael Martins
Trompa: Jonathas Jacinto
Fagote: Samir Imad
Gravação: Pedro Paulo Köhler (LAMI/USP)
Mixagem: Pedro Paulo Köhler e Daniel Conti
Masterização: Daniel Conti
Agradecimentos: Ana Fridman e Valéria Bonafé


“Essas pessoas”

Composição, arranjo, vozes, sintetizador, violões e captação: Vítor Vieira
Arranjo e percussão: Lerito Rocha
Edições: Vítor Vieira e João Botosso
Mixagem e masterização: Daniel Conti
Masterização: Daniel Conti


“Fim de festa”

Composição, arranjo e voz: Vítor Vieira
Arranjo e piano: Ricardo Ballestero
Captação: Pedro Paulo Köhler e Fernando Samora (LAMI/USP)
Mixagem: Fernando Samora e Daniel Conti
Masterização: Daniel Conti


“Roda da vida”

Composição e piano: Gil Roseiro
Letra e voz: Vítor Vieira
Captação: Pedro Paulo Köhler (LAMI/USP)
Edições: Vítor Vieira e Daniel Conti
Mixagem: Daniel Conti, Pedro Paulo Köhler e Vítor Vieira
Masterização: Daniel Conti


“Arqueologia das palavras”

Texto, composição, vozes, violinos, efeitos vocais e corporais, captação e mixtape: Vítor Vieira
Mixagem e masterização: Daniel Conti
Agradecimentos: Valéria Bonafé, Fernando Iazzetta e Rogério Costa


“Travessia”

Composição, arranjo, voz, rabeca, violinos, viola caipira, percussão e captação: Vítor Vieira
Mixagem: Daniel Conti e Vítor Vieira
Masterização: Daniel Conti
Agradecimentos: Rogério Costa e Ivan Vilela


“Ícaro”

Composição e vozes: Vítor Vieira
Arranjo, guitarras e eletrônica: João Botosso
Captação: Estúdio Corda
Mixagem: Vítor Vieira, João Botosso e Daniel Conti
Masterização: Daniel Conti


“Da janela”

Composição, arranjo e violões: João Botosso
Letra e voz: Vítor Vieira
Captação: Estúdio Corda
Mixagem: João Botosso, Daniel Conti e Vítor Vieira
Masterização: Daniel Conti

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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