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Edwin de Paula une pesquisa e tradição no álbum “Alfabeto”

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Arquivo Rifferama

Edwin de Paula reinterpreta a MPB no seu álbum “Telecorsa” (2022)


Foto: Daniel Machado

O repertório de “Alfabeto”, segundo álbum de Edwin de Paula, começou a ser divulgado em 2023, com o single “Tempestade solar”, mas o conceito do disco tomou forma em 2025, após uma viagem que o cantor, compositor e produtor fez pela Cordilheira dos Andes, de Kombi, ao lado de três amigos. O artista passou um mês rodando pela região, observando as montanhas e tendo contato com novas pessoas e tradições, uma experiência transformadora. Como o título do registro sugere, “Alfabeto”, lançado na última sexta-feira (31 de julho) nas plataformas digitais, é um trabalho sobre linguagem. “Aprender o espanhol me expandiu bastante os horizontes e ter contato com os diferentes povos da região que a gente conheceu, de população predominantemente indígena, da relação da língua indígena com a do colonizador, que é bem diferente da gente, lá eles usam mais a linguagem local”, comentou o músico, que é professor de inglês em Joinville.

O álbum pode ser caracterizado como folk, de folclore. Munido do violão e do computador, o artista produziu tudo sozinho utilizando samples e instrumentos virtuais, um trabalho de pesquisa por sonoridades e curadoria. As canções têm forte carga étnica, não somente latina: na abertura em “100 milhões”, o produtor usa um trecho de música da Armênia, enquanto “Shanidar” traz elementos do assouf, conhecido ritmo do povo Tuaregue (da região do Saara), também chamado de blues do deserto. “Alfabeto” também apresenta batidas eletrônicas, como em “Sussurro do tempo”, e conta com a participação da cantora e compositora Ellen Mirú em “Humana”, tema central do disco, que apesar da pluralidade de referências, soa coeso. Em contato com o Rifferama, Edwin de Paula falou sobre o conceito e a estética de “Alfabeto”.

— É um disco que estou trabalhando desde que terminei “Telecorsa” (2022). “Tempestade solar” foi o primeiro vislumbre desse universo. Quando fui fazer o álbum, me imaginei como um viajante fantástico, como se tivesse sido uma volta ao mundo. “Humana” é a espinha dorsal de “Alfabeto”, a ideia do nome vem daí, de pensar que são 26 letrinhas que cabem o infinito dentro delas. Você pode falar de tudo que existe, não existe, já existiu e nunca vai existir usando a linguagem. Esse disco tem um cuidado muito sutil de não cair na apropriação cultural, não quero roubar, quero dialogar com essas culturas. Ele traz várias coisas, é diverso, mas coeso, tem vários elementos que conversam sobre a existência humana. Apesar de a gente não ter a resposta de onde viemos, a resposta cabe na linguagem, dentro dessas 26 letras. É um álbum que fala sobre ser humano. A gente está em todo lugar, cada um à sua maneira.

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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