O Rifferama tem o apoio cultural de 30 Por Segundo e Camerata Florianópolis
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Os DJs e produtores Jorge Domingos Júnior e Natan Amboni de Souza começaram a namorar aos 18 anos (são 18 anos juntos) e, na época, o casal frequentava festivais de metal e hardcore, mas se afastou da cena devido ao preconceito. “Tinha muito problema em relação à homofobia e a gente tinha receio de frequentar esses lugares”, contou Jorge. Foi numa festa de techno que eles encontraram o acolhimento que tanto buscavam, sem deixar de curtir um som pesado ou se vestir como sempre fizeram. E foi nesse evento, em Blumenau, que a dupla teve contato com o techno extremo, um gênero que conversa com o metal em vários pontos, como as batidas rápidas, a intensidade, o visual agressivo, entre outras características. O único problema é que ninguém tocava o estilo na região. O TEGRON surgiu para preencher essa lacuna e promover a vertente entre o público do eletrônico.
Oito anos depois de fundarem o duo, Jorge Domingos Júnior e Natan Amboni de Souza veem um cenário que está crescendo. Blumenau já tem um clube dedicado exclusivamente para eventos de techno extremo, a dupla já produziu mais de 150 faixas e tocou em países da Europa, América do Sul e também nos Estados Unidos, além de ter se apresentado na edição brasileira do Verknipt, o maior festival do gênero. Pioneiro, o TEGRON também plantou uma semente ao dividir o conhecimento formando outros DJs para tocar hard, industrial e hardcore techno, incluindo Natália de Souza “NATLASS”, feat em “Wait, and You Die”, um dos 13 lançamentos que o duo lançou neste ano nas plataformas digitais, com destaque para os EPs independentes “BDSM Supremacy” e “Black Mamba”. Em contato com o Rifferama, Jorge Domingos Júnior falou sobre a produção da dupla e a musicalidade do techno extremo.
— No techno extremo o kick é mais brutal. O nosso projeto a gente inicia o set em 160 bpm (batidas por minuto) e chega até 175. As músicas são mais pesadas e aceleradas. Ficamos uns quatro anos tocando e sentimos a necessidade de nos posicionar no mercado. Termos personalidades diferentes, a gente não produz muito juntos, começamos a produção, um continua, o outro retoma, até bater o martelo. A gente analisa o selo que vai ser lançado, as gravadoras têm regras de estilo e isso interfere no produto final. Os nossos últimos dois EPs foram lançados de forma independente. A gente queria ter a experiência de criar algo sem ter que passar pelo crivo de alguém. O universo dark sempre inspirou muito a gente, a cultura BDSM, gótica. A gente repassa na forma como se veste, nos sets que a gente monta, nas faixas que a gente produz, é um tema muito presente na nossa festa. Temos uma marca de moda e essa apresentação visual sempre foi uma preocupação nossa.

