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A década da decadência: terror, sangue, zumbis e thrash metal

*por Marcelo Mancha

A música pesada catarinense merece um estudo detalhado. São muitas bandas, novas e já rodadas, lançando bons trabalhos pelos quatro cantos do estado. O metal made in SC sempre dá um jeito de surpreender em seus mais variados estilos. Pode anotar mais um nome nessa lista: Distressed. O quarteto de Tubarão apresenta um death/thrash de altíssima qualidade em “Decade of Decay”, EP lançado em março de 2019 em comemoração ao aniversário de dez anos da banda.

O primeiro minuto de “Decay”, música que abre o trabalho, mostra ao ouvinte um bom resumo do Distressed. Thrash metal com um pé no death, dois bumbos e blast beats em algumas canções, backing vocais bem encaixados, um maremoto de riffs e palhetadas, um vocal nervoso e aquela pegada acelerada que só tem quem foi doutrinado por Obituary, Sepultura (pré-“Chaos A.D.”), Deicide, Cannibal Corpse, Exodus, Carcass, entre outros membros da elite do som pesado mundial.

O EP prossegue com duas músicas daquelas para o fã entrar no mosh pit. “Hellvalley” é pancadaria pura e “March of the Zombies” traz um arranjo mais moderno, principalmente no trabalho das guitarras no refrão. São essas duas músicas que injetam personalidade ao trabalho do Distressed. É justamente nesse ponto da audição que a conexão é feita com o som praticado por André Wendhausen (vocal e baixo), Daniel Rosick (guitarra e backing vocal), Rafael Spilere (guitarra) e Gustavo Oliveira (bateria). “Psychopaths” mantém o velocímetro no 150 km/h e faz a ponte perfeita para o encerramento com “This Place is Death”. E dá-lhe bateção de cabeça, air guitar e blast beats imaginários.

O material foi gravado em Criciúma e produzido pela banda e por Orland Jr., que já trabalhou com Somberland e Alkanza. É muito difícil apontar um destaque na performance dos integrantes. Bons solos, bons riffs, batera F1, baixo comandando o peso e um vocalista com sangue nos olhos. Mas pode ficar tranquilo que o Distressed não é nenhuma daquelas “bandas clone”, que de tão boas soam iguais a outras bandas já consagradas. Os caras aqui tem personalidade. Procurei, mas não encontrei nada fora do lugar. Discão! Ops, Epzão!

A capa é uma pintura do filósofo-pintor húngaro Barão Ladislav Medňanský, chamada de Old Man’s Death, e merece virar uma camiseta, um quadro na sala ou até mesmo uma tatuagem na pele qualquer fã de thrash metal. Atenção! A lista dos dez melhores lançamentos de 2019 só tem mais nove vagas. Nota 10.

*Marcelo Mancha é jornalista, músico e baixista do Eutha (desde 1992)

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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