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O ilhado Vinicius Galant mostra versatilidade no segundo álbum*

*por Wagner Effe

Não é difícil perceber que “Ilhado”, o segundo álbum do cantautor Vinícius Galant, segue “surfando no DNA” de MUD, seu antecessor. Quem conhece a fundo a obra do Engenheiros do Hawaii sacou a referência, claro, mas ela não está aqui “por acaso”, já que Humberto Gessinger é uma de suas grandes influências dentre os compositores nacionais, assim como o outro gaúcho Duca Leindecker. Embora essas ascendências sejam mais percebidas nas letras, de maneira geral extensas e introspectivas, é possível notar traços do disco “Simples de coração” na canção “Cercado”, que abre os trabalhos após o belo tema instrumental “Fuga ao mar” cumprir seu papel de fazer a transição perfeita do primeiro para este. As boas sacadas reaparecem, agora em português e a produção segue impecável.

“Deixa eu ver teu olhar/Deixa ser a minha boca/Fortaleza da tua paixão” (Cercado)

Mas o disco não se resume apenas ao “rock grande do sul”, como podemos conferir na ácida “Ponte”, que lembra muito Secos e Molhados na melodia, na interpretação e na riqueza de detalhes. O hit do álbum fica por conta da ótima “Objetos Perdidos”, dona de uma melodia lindíssima, que envolve e convida para curtir o restante do álbum em suas asas. A concreta “Via Expressa” inicia com um arranjo que remete à “Música Inédita” do Cidadão Quem e chama atenção para as inúmeras referências a Florianópolis, que Vinícius pontua durante toda a obra, ora nas letras, ora nos títulos das canções.

“A cara e o tapa eu já conheço bem” (Ponte)

A mescla do inglês com o português fica a cargo de “O sol” e o “Pássaro”, que traz também uma perspicaz apropriação do dito popular “cerração baixa, sol que racha”. “Morro da coroa” é, por sua vez, mais uma prova da capacidade de Vinícius em criar belas melodias. Na sequência, é o rapper Raphael Warlock que dá o tom em “Lua sangrenta”, trazendo uma bem-vinda pitada de rap. “No Quarto ao Lado” abre a reta final do disco, com seu belo arranjo de violão e sua deliciosa melodia, enquanto “Fique e passe a noite aqui” fecha o álbum em grande estilo, num clima de celebração que remete à Banda Mais Bonita da Cidade e deixa aquele gostinho de quero mais.

“Eu me encontrei perdido no bolso do teu calção” (Objetos Perdidos)

Com “Ilhado”, Vinícius Galant confirma seu talento e segue pavimentando seu lugar entre os bons nomes da música catarinense da atualidade. Se no primeiro álbum o piano era mais presente, em Ilhado ele mostra sua versatilidade nos belos arranjos de violão, presenteando-nos com um disco delicioso para se ouvir nas belas tardes de outono da ilha da magia.

Foto: Lavínia Feck Monteiro

*Wagner Éffe é poeta e músico, integrante do Brumário e tem diversos trabalhos solo

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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