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Foto: Marília Rotili
Apesar do pouco tempo vivendo a cena autoral de Florianópolis, Felipe Jun, vocalista da Cranqz, é certeiro sobre a nova geração de bandas da cidade. “Tudo o que sei (de antes) vem de relatos de outras pessoas e acho muito massa o que a galera tem feito. Cada vez mais está tendo bandas que cantam em português, com mensagens diretas e políticas. O mesmo público que vai ver a Exclusive os Cabides vai no show da Budang”, afirmou o músico, que é nascido em Indaial e veio para a Ilha em 2019. O EP “Meu sonho de criança era ser globo da mortista”, lançado no dia 16 de junho nas plataformas digitais, reforça esse movimento atual, com uma sonoridade barulhenta, de referências brasileiras, mas também misturadas ao post-punk e hardcore. Com cinco faixas, incluindo os singles “Tralha” e “Jeff Beijos”, o material foi produzido por Leonardo Daniel Baldissera Souza “Coguleo”.
A Cranqz, formada no fim de 2023, gravou o EP com Felipe Jun (voz), Guilherme Guedes (guitarra, também toca nas bandas Bad Chairs e Oyster), Rody Elan (baixo) e Bruno Caetano (bateria). O quarteto, que hoje conta com Gabriela Dociati no baixo, tem como referência grupos da cena Crank Wave, que é extremamente político, de denúncia, enraizado no punk, mas também divertido e dançante, como explicou o vocalista ao portal. Uma das principais inspirações para a escrita é Crizin da Z.O., projeto de funk, gênero que serviu de base na composição de “Jeff Beijos”. A preocupação com a mensagem inspirou até a formação da banda, deixando o frontman livre para gritar no palco. Em contato com o Rifferama, Felipe Jun falou sobre a sonoridade da Cranqz e os próximos passos da banda, que está gravando o próximo EP.
— Eu sempre gostei de barulho, música com mensagens políticas e cantores que não cantavam tão bem e acabei reproduzindo isso nas coisas que faço. O post-punk do Crank Wave tem várias bandas assim: uma pessoa irritada gritando no microfone ao som de guitarras estridentes. É por isso que gosto muito de rap e funk; o mundo deu uma convergida para uma coisa mais política que não cabe tanta sofisticação. O mundo está acabando e isso precisa ser falado. A gente nunca quis que eu falasse essas coisas olhando pra baixo tentando acertar uma nota. Eu tinha que cantar olhando no olho das pessoas e gritando o mais alto possível. As músicas desse primeiro EP foram vomitadas, na época eu estava com muita coisa entalada. Nesse segundo elas já são mais bonitas e pensadas, escrevemos mais juntos e estamos bem entrosados. A gente gosta da autenticidade que tem os sons e temos conversado sobre colocar mais barulho, um pé no hardcore. A Cranqz tem que ver ao vivo para entender a pira.

