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Gabriel Schneider de Moura, o FRAJ, sempre se sentiu um peixe fora d’água no rap. Por motivos muitos. Natural de Lages, cidade com forte cultura nativista, o MC escolheu seguir o caminho do experimentalismo, tanto na estética quanto na escrita, desde a estreia em 2014 com o parceiro e produtor Beli Remour no duo Admirável Mundo de Dionísio — a relação se estendeu para outro projeto, Kodak Ninja & Urso em Mandarim, e continua rendendo frutos, como o EP “Pequenas distâncias”, um dos melhores de 2025 segundo o Rifferama. “A gente pretendia fazer algo que não foi feito, misturar gêneros, camadas, provocar. No fim eu só queria ser surrealista”, contou o artista, que está prestes a lançar o seu primeiro álbum solo. “Grafomaníaco” chega no dia 26 de maio às plataformas digitais e teve dois singles divulgados, ambos em abril: “Pistoleiro do fim do mundo” e “Veneno”.
Além dos trabalhos com Beli Remour, FRAJ já gravou um álbum com Thiago Arit, conterrâneo e amigo desde a adolescência, e singles com Makalister e Nnay Beats. Como o título do seu registro de estreia indica, o foco do rapper sempre foi a palavra e dependia de outros para produzir, um dos motivos para “Grafomaníaco” ter sido gestado depois de mais de dez anos de trajetória no rap, com uma discografia extensa. “Nada me preparou para estar aqui, mas o que me abriu essa porta foi o rap, a poesia que eu conheci no rap. O rap me fez perceber a força das palavras. Eu nunca fui muito profissional, mas sempre quis escrever bem”, comentou o artista. Atualmente dedicado ao doutorado em Filosofia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o MC pretende reforçar com “Grafomaníaco” o poder da palavra nesse universo. Em contato com o Rifferama, FRAJ falou sobre o conceito do disco e sua relação com o rap.
— Eu me sentia muito estranho no rap. Era como se a persona completa não encaixasse em mim. Na Filosofia do mesmo jeito, a roupagem do filósofo, a do escritor de literatura, sempre fui me sentindo “não sou isso, não sou aquilo, o que eu sou?”. Tudo isso é unido pelo desejo, interesse, pela fé na escrita. Hoje consigo perceber que o caminho que sempre trilhei, tudo isso foi articulado na minha vida pela escrita. A proposta do álbum é justamente reivindicar esse lugar para dentro do rap, de alguém que considera a poesia como algo fundamental do seu funcionamento, esse lugar do MC, do rapper, como escritor também, ao mesmo tempo propor no meu disco uma escrita que fosse além do que a gente tem como parâmetro de rap. Apesar de os singles serem mais palatáveis, creio que as outras faixas carregam o estranhamento que é característico do meu trabalho e dos experimentos que fui fazendo. Quero ir a outros lugares que o rap não está habituado a ir.
Ficha técnica
Escrita, voz e produção: FRAJ
Edição clipe, montagem e beat de “Veneno”: Gust
Mixagem e masterização: Thiago Arit
Arte: Hércules Scapo
Imagens clipe: Victoria Ludmila

