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Iriê honra a sua trajetória com novo álbum “Infinito solar”

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Arquivo Rifferama

Iriê: 15 anos de reggae catarina (2013)

Iriê comemora 20 anos de história e resistência no reggae (2018)

Iriê comemora 25 anos com novo álbum e show acústico no CIC (2023)


Foto: Estúdio Bend

O Iriê fez tudo (ou quase) o que uma banda poderia sonhar. Formada em 1998, em Florianópolis, o grupo tocou em grandes festivais, trabalhou com produtores renomados, lançou disco por uma gravadora nacional, gravou com orquestra e virou símbolo do reggae em Santa Catarina. “Infinito solar”, quinto álbum de estúdio do grupo, sucessor de “Melhor do que eu sou” (2010), encerra um período de partidas e chegadas, projetos paralelos e grandes trabalhos, como o DVD acústico em comemoração aos 25 anos da banda, filmado em março de 2024 no Teatro Ademir Rosa (CIC). Desde a saída de Rô Conceição, em 2016, o Iriê fez um disco com Gazu (“Mexendo o doce do reggae”, 2017); em 2018 saiu o single “Amor pela Ilha”, com Val Milioli na voz; a formação clássica se reuniu em 2022 para o Festival de Bandas da Camerata, que gerou material em áudio e vídeo; Isaías Nunes (Yeti Reggae Club) assumiu o posto de vocalista no ano seguinte, estreando com três singles, incluindo uma canção de sua autoria.

Nesses dez anos de reformulação e resistência, Cléo Borges se tornou o produtor que nove em cada dez bandas de reggae do estado procuram para gravar os seus trabalhos. O baixista traz a bagagem que adquiriu observando profissionais como Ricardo Vidal, Nelson Meirelles, Paul Ralphes e JR Tostoi para o Mangue Mix, estúdio em Ratones onde o Iriê produziu “Infinito solar”. Além de ser o responsável pela parte técnica (captação e mixagem), Cléo é o principal compositor do grupo: nos cinco discos de estúdio, o Iriê registrou 58 músicas, sendo cinco versões (Hyldon, Djavan, Sine Calmon, Gonzaguinha e Lula Queiroga) e, dessas 53 restantes, 42 trazem a sua assinatura, sozinho ou em parceria com os integrantes da banda e outros compositores. A exemplo da estreia em “Translatação” (2001), Cléo Borges escreveu sete faixas do repertório do novo álbum.

“Infinito solar” tem aquele pop reggae que só o Iriê sabe fazer. Leve, romântico, positivo, dividido entre letras sobre o amor e a natureza, o álbum tem duas gratas surpresas. O vocalista Isaías Nunes se mostrou uma escolha acertada para continuar o legado da banda. Respeitando a obra do grupo, como na regravação de “Mas tem fé”, que fecha o repertório do disco, o cantor tem sua voz própria e personalidade. A participação de Cauê Borges, filho de Cléo, também é um destaque positivo desse trabalho. Além de tocar guitarra, o músico canta e assina a balada “Te amo”, gravada em duo com o pai (voz, violão, baixo e percussão), e é coautor da faixa “Você e mais nada”. Falando em parcerias, “Bruxa Marina”, que tem letra de Daniel Lucena (1960-2020) inspirada em uma lenda contada por Valdir Agostinho, rouba a cena.

A base do som do álbum está no baixo de Cléo Borges, nos teclados de Sergio Sant’Anna e na percussão de Daniel da Luz, integrantes da fase clássica do Iriê. Esteticamente, “Infinito solar” soa limpo, com foco nos grooves fornecidos pelas cordas graves e a bateria de Diego Dutra: o músico foi substituído por Quevin Lenhani após a gravação. O repertório é forte, ancorado pelos singles “Tem que ter fé no amor” e seu ritmo contagiante, com refrão para ser cantado nos shows, e “Equilíbrio”, que tem letra esperançosa e os vocais ritmados do baixista que viraram marca registrada da banda. “Dois minutos”, parceria de Isaías Nunes e Cauê Borges, é a melhor desse trabalho e representa a dinâmica que essa divisão nas vozes trouxe para a sonoridade do Iriê. A faixa tem um instrumental inspirado e uma ótima interpretação do frontman. Tem tudo para ser uma das preferidas nos shows.

“Infinito solar” é um registro importante. Ainda que em constante atividade, com lançamentos de singles e do acústico, o álbum encerra um hiato de 16 anos na discografia de uma das maiores bandas do estado e abre caminho para uma nova fase. O Iriê conhece a sua história e apresentou um álbum redondo, com músicas direto ao ponto, bons refrãos e aquela sonoridade que se tornou um farol para o reggae catarinense. Que venham os 30 anos!

Ficha técnica

Voz: Isaías Nunes
Guitarra, violão e voz: Cauê Borges
Baixo, percussão e guitarra: Cléo Borges
Teclados: Sergio Sant’Anna
Bateria: Diego Dutra
Participação: Daniel da Luz (percussão)
Captação, produção e mixagem: Cléo Borges
Masterização: Alécio Costa

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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