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Entre o final de 2020 e o começo de 2021, Anderson Luiz Jukowski, o Coroa, escreveu a letra de “Falange de ilusão” enquanto esperava por uma consulta com psiquiatra. Na época, aos 48 anos, o mecânico náutico radicado em Palhoça lutava contra a dependência química e descobriu uma missão de vida: contar a sua história para inspirar outras pessoas que passaram pelos mesmos problemas. Coroa nunca foi adepto do rap, mas quando mostrou o que tinha colocado no bloco de notas para o amigo e guitarrista Thyago Rachid, foi informado que tinha composto um rap. “Tive um despertar de conhecimento, comecei a estudar muita coisa, filosofia, a notar coisas. Não foi eu que escolhi, foi o rap que me chamou. Eu fui despertado para a poesia, para a escrita, percebi que aquilo me fazia bem e que os incômodos que eu sentia eram coisas que eu precisava escrever”, comentou.
“Falange de ilusão” também foi o seu primeiro lançamento, em 2023. Coroa produziu uma faixa por ano até chegar completar o seu EP de estreia, “Tremendo mundo cão”, que foi divulgado no dia 30 de abril apenas no seu canal do Youtube. As quatro faixas compartilham uma trajetória que é marcada pelo vício. “Eterno Maguila”, o segundo single, que saiu em 2024, é dedicado ao filho mais velho, morto pela polícia em 2014 em um assalto a um posto de gasolina. Ambas foram gravadas em Palhoça no estúdio Octopus Soundbox, por Dierre Pichorz, com arranjos de Thyago Rachid. Depois vieram “Escada invertida” (2025) e “Labirinto”, a última a ser divulgada e introdução do EP, foram produzidas por Thiago Shino, em Jacareí (SP). O resultado é uma sonoridade que mescla referências diferentes e tem uma estética mais old school, com o texto visceral do MC. Em contato com o Rifferama, Coroa falou sobre a sua ligação tardia com o rap e o objetivo com “Tremendo mundo cão”.
— Eu nunca tive contato com o rap antes. Eu sou do rock and roll, sempre fui um consumidor de música, mas não sou músico. Trabalhei muitos anos de segurança em shows, sempre fui ouvinte, o meu filho mais velho, o Maguila, que faleceu, escutava bastante rap, mas não era aquela coisa que eu gostava. Diante da primeira escrita, quando o Thyago falou que aquilo era um rap, eu fui estudar e conhecer, ver as raízes e vi que o rap era a ferramenta de acesso que eu precisava para botar no mundo a minha poesia. As letras são pessoais e verdadeiras. não escrevo nada subliminar ou de sonho, eu escrevo mensagem. Eu tenho uma missão clara, que é acessar mentes. das pessoas que passam por isso, a depressão, a dependência é foda, é um buraco sem fundo. O contexto do que busco é despertar pras pessoas se reconhecerem como dependentes, assumirem o seu vício e procurarem ajuda, expondo as minhas dores e o que passei.

