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Raging War mostra que tem luz própria em disco de estreia*

*por Alessandro Bonassoli

Entre 2005 e 2016 a banda Monster Truck agitou o underground da capital catarinense. Como já existia outro grupo com o mesmo nome, os integrantes preferiam trocar de identidade para evitar problemas maiores. Assim, em 2016 surgia o Raging War, formado por Rudi Vetter (vocal), Ricardo Lima (baixo), Wellington de Oliveira (guitarra) e Roberto Barth (bateria). A proposta era fazer aquele thrash metal tipicamente influenciado pelos grandes nome da Bay Area, mas também pela escola alemã do estilo.

Em 2017, a participação no festival “Rock Na Praça” – em Brusque – foi gravada pela Fundação Cultural da cidade, gerando o EP “Live In Brusque”. Era o primeiro aperitivo do potencial do quarteto. Entre 2016 e 2017, eles dedicaram-se ao passo seguinte: o registro independente do primeiro full-lenght, que recebeu como título o nome da própria banda. Gravada no estúdio Tobias Blues, a obra teve a produção de Douglas Fischer e o resultado está disponível nas plataformas digitais, mas vale investir na cópia física, por meio da fanpage do Raging War. Digo isso pois, em tempos nos quais que a Internet e a música digital permitem uma quantidade imensa de produtos com qualidade discutível, creio que é válido investir em algo de real valor sonoro. E o Raging War é um bom exemplo disso.

Ao ouvir o álbum, você notará que Vetter investe em uma linha de vocais ora rasgados, ora guturais.  E o bom é que ele estabeleceu uma técnica que consegue balancear as duas vertentes sem soar cansativo em nenhuma delas. A cozinha de Lima e Barth é segura e detém uma força motora de arranjos bem estruturados. Nas seis cordas, Oliveira gera riffs em profusão e sempre de muito bom gosto, enquanto seus solos não decepcionam. Nas nove faixas (há ainda “Prelude to War”, uma rápida introdução) ficam visíveis as raízes entre os clássicos europeus Kreator, Destruction e Tankard de um lado e os norte-americanos Testament, Forbidden e Whiplash em outro. Mas, garanto, cada audição pode lhe remeter a outros ícones do thrash mundial.

“Third World”, “Strenght for Better Days”, “Entrails of a Corrupted Mind” e “Black Forest” são algumas faixas que merecem, de imediato, muitas audições consecutivas. Mas, certamente, é “The Meaning” o maior destaque. A faixa, inclusive, gerou o primeiro videoclipe do Raging War, obviamente já “bombando” no YouTube. É daquelas canções que, rapidamente, entra para a lista de “favoritas do ano” e o climão Slayer presente é mais do que empolgante.

De modo independente, ensaiando a cada 15 dias, sempre intercalando Florianópolis com Brusque, pois dois integrantes vivem uma cidade e demais em outra, o Raging War é mais um nome da música catarinense que, apesar de tantas dificuldades, merece respeito e espaço. Atenção! Falei aqui nas lendas que dão o norte ao estilo deles, mas não se trata de mais um exemplo de “retro thrash”. O Raging War permanece fiel e próximo às suas influências, porém não se entrega à comodidade da mesmice e está, nitidamente, em busca da sua linha sonora. Até aqui, estão indo muito bem. Aposto que no próximo álbum essa luz própria será ainda mais forte.

Foto: Vanessa Boettcher

*Alessandro Bonassoli é jornalista e colaborador da revista Roadie Crew

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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