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Inverted Colors ataca novamente no segundo EP, “Colorful Blank”*

*por Rafael Zimath

Formado em 2016, em Jaraguá do Sul, o Inverted Colors é um trio que apresenta um som exclusivamente instrumental que intercala canções com pegada mais roqueira (rock este de, não pude evitar o trocadilho, cores noventistas) e outras mais calmas, na linha pós-rock do seminal Slint.

“Colorful Blank” começa com “First Time (Of Anything)”, uma das mais interessantes e originais do trabalho. A faixa mostra acordes de guitarra elegantes, uma linha de baixo bem acabada e boas viradas de bateria. Rapidamente, o EP desemboca na agitada “Sugar Rush”. Ciente da polêmica ame/odeie, me arrisco em afirmar que esta segunda faixa, em sua metade, surpreende com uma seção que remete ao Rush. “The Girl and the Ballons” oferece mais da faceta roqueira da banda, e uma cadência grooveada e sincopada até que diminui o andamento para, mais uma vez, valorizar os acordes da guitarra de forma agradável.

“All Within You” inicia calma e densa até que em seu segundo minuto o ouvinte é surpreendido com um pedal duplo de bateria que leva a ideia para outra completa direção até a calmaria reinar novamente. A estrutura dessa música remete a uma das minhas bandas instrumentais favoritas na atualidade, o Russian Circles, outro trio que intercala momentos do tal pós-metal com passagens mais serenas e melódicas. A última faixa, “Together” encerra bem deixando difícil não lembrar algo do Pearl Jam (fase “Yield”), se não fosse o fato de ser uma música instrumental.

Se esteticamente, a proposta da banda cativa os fãs de música instrumental, a gravação e produção poderiam se beneficiar de um tratamento mais aplicado, com foco em dar maior atenção aos timbres. É importante esclarecer que a captação não é ruim, tem aquele jeitão ao vivo que a proposta da banda pede, mas é provável que as ideias do Inverted Colors poderiam soar ainda melhores e, quiçá, mais grandiosas, com uma produção aprimorada.

Mas é certo que, sendo tão recente, a banda ainda vai nos brindar com novos e melhor maturados registros. Feitas estas ressalvas, o grupo merece atenção e aponta para um caminho promissor e futuro pra lá de interessante.

*Rafael Zimath integrou as bandas Butt Spencer, Alva e toca hoje no Somaa, todas de Joinville

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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