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Rekusa une velha e nova geração de punks de Jaraguá do Sul

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Foto: Ícaro Choshi

Aos 48 anos, o vocalista Heriberto Werner está revivendo a experiência de ter banda. Integrante de uma série de grupos (Los Tocas, Die Heissen Kartoffel, Cadaveric Hotel, entre outros projetos) de punk e hardcore desde o começo dos anos 1990, o músico de Jaraguá do Sul começou a fazer um barulho em 2024 com o seu filho Bernardo Werner (14), que estava aprendendo a tocar guitarra. Certo dia, Bernardo Leandro (17) apareceu na loja O Limbo Bazar do Rock, que Heriberto mantém há 13 anos, dizendo que tocava bateria e procurava uma banda. Não deu outra, o ensaio rendeu e o baterista contou que tinha um amigo baixista. Com Johann Muller (20) estava formada a Rekusa, que no dia 13 de julho lançou o seu álbum de estreia, “Sistema F.D.P”, nas plataformas digitais. Com 11 faixas, o trabalho foi gravado em um dia no Estúdio Abrigo Nuclear, da lenda do underground Velho Edi.

A sonoridade do disco começa mais leve e no decorrer da audição a banda vai adicionando mais elementos de hardcore e até grindcore ao punk rock executado pelos jovens músicos enquanto o vocalista grita críticas sociais. O encerramento com “Fake News” é um bom exemplo de como o som da Rekusa é variado dentro dessa proposta estética. “Sistema F.D.P” foi gravado ao vivo com o grupo tocando junto e as vozes foram captadas separadamente. É um registro cru, cheio de energia e irreverência. Neste sábado (12 de setembro), a banda faz o show de lançamento do álbum, ao lado de Catarse e Kruus, no Beco Bar. Em contato com o Rifferama, Heriberto Werner falou sobre a oportunidade de tocar com o filho e a relação com músicos da nova geração.

— Se eu fosse tocar com os velhos, ia todo mundo reclamar do horário, do cachê, de dor nas costas, no fim a velharada nem vai. A piazada é massa, chega no show tem um monte de amigo, todos eles querem dar apoio. Pra mim que sou o mais velho no meio dos caras a vibe é outra. Quando vieram para ensaiar eu falei que as letras que eu faço são tudo crítica social, perguntei se era isso que eles queriam ou pensavam, são críticas nervosas, a gente tinha que estar pelo menos com o mesmo pensamento. Não adianta fazer uma letra protestando sobre alguma coisa e depois ser diferente daquilo. Eles já vieram prontos. Eu sempre toquei punk e hardcore, a gente faz as músicas e no ensaio eles botam as ideias deles. Eles também gostam dessas paradas e conhecem coisa nova, aí tem uma pitada de tudo. Tocar com a molecada é outra onda. 

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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